quinta-feira, 7 de novembro de 2013

se eu tivesse meu próprio dicionário

Se eu tivesse meu próprio dicionário, ÁGUA seria vitamina pra sertanejo.
BOXE: luta cujo objetivo é atingir o adversário com as mãos. Vence quem sabe usar a cabeça e os pés.
BAHIA: um bar que não foi, fracassou.
CIÚMES: filme de ficção, com pelo menos 1 ator fantasma. Ou não.
DOUTOR: o que vem depois do dodói.
E o sonho da valsa? Forró.
FARDAS: roupas que guardam os homens na indiferença de seus empregos.
GAROA: chuva da gota serena.
HORAS: frações do dia que marcam a redundância nos relógios.
INVERNO são os outros - quando distantes.
JARDIM: um filhote de floresta, que ficou de castigo no quintal.
K: um esconderijo em forma de letra.
LOBISOMEM: um bicho de lua, que toda hora muda o status no Facebook e diz: #patiurua!
MONTANHA: um buraco que esqueceu de afundar e ficou assim, do avesso; um buraco pra cima.
MÃE: reticências, só por garantia de nunca acabar.
NAVIO: um peixe exibido, que não afunda nem nada. Só fica a ver.
ÓCIO: invenção de quem não tinha o que fazer.
PÓDIO é o centro da solidão.
QUER saber o contrário de beija-for? Judas!
RIACHO: um sorriso que foi encontrado.
SORVETE: alegria gelada, que funciona por até 5 minutos seguidos; e entristece se não for lambido.
TIVESSE meu próprio dicionário, SAUDADE seria uma escavação, que afunda a distância na gente até cair vírgulas do coração.
UMA dúvida: e o que é o amor, afinal, se não um pulo, um tiro - pra dentro do outro, no vento?
VENTO: o capacete do poeta.
WHISKY: uma cachaça feita na Escócia.
XADREZ: jogo de tabuleiro, que as pessoas estampam nas camisas.
YES, um sim que vem de fora.
ZERO:  um número carente. Precisa estar à direta dos outros para ter valor. 

[Fragmentos da série: se eu tivesse meu próprio dicionário - Ni Brisant]

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